domingo, 12 de julho de 2015

História do ensino em Maranguape

O ensino, nos tempos iniciais da aldeia, era feito por mestres-escolas, professores ambulantes que andavam de sítio em sítio alfabetizando os filhos dos proprietários. A primeira escola oficial de Maranguape surge no segundo decênio do século XIX, por exigência de seus habitantes e pronto atendimento do Presidente da Província. Funcionava na própria residência do professor designado.  Em 18 de maio de 1820, D. Pedro I, Imperador do Brasil, confirma ato de seu representante provincial provendo na Cadeira de Primeiras Letras da povoação de Maranguape a Joaquim Lopes da Cunha, com um ordenado anual de trezentos mil réis.

Muito tempo depois, já no Período Republicano, é instalada a primeira escola, em prédio apropriado de acordo com os padrões do ensino contemporâneo. As escolas urbanas de Maranguape foram todas reunidas no que se chamou de Grupo Escolar Benjamim Barroso, em homenagem ao Presidente do Estado da época e foi inaugurado a 21 de julho de 1916. Funcionou no sobrado das Correias, na Praça da Matriz, tendo como primeira diretora Dona Cândida Vieira Cavalcante e como professora Alice Chaves, Maria Leonese de Sousa Brasil, Isabel Amélia Pereira, Lídia de Pontes Vieira e Emília Vieira.


Solar dos Correias, onde funcionou o Grupo Escolar Benjamim Barroso.

Em 1933, a escola mudou de nome, passando a chamar-se Grupo Escolar Capistrano de Abreu. Nos anos 30, 40 e meados do século passado, ali marcaram época as mulheres da família Pontes Vieira, todas professoras: Emília, Cândida e Áurea, além das parentas, Ana Vieira, e Juvenília Vieira Mavignier de Oliveira, e também Francisca (Chiquinha) Assunção e Dona Naninha (Ana de Oliveira Cabral), esta, uma figura histórica do magistério maranguapense, pois, filha do Icó, chegou a esta cidade em 1905 e aqui viveu até a idade de 86 anos, ensinado gerações.
Também destacaram-se as irmãs Raimundinha e Anita Mota; Zélia, Belalinda e Maria da Glória Filgueiras Bastos; e Maria Ferreira. Da família Nunes, Edith Nunes Costa, fundadora do colégio São José, e suas irmãs Isa Nunes, Suzete Nunes Cavalcante e Maria Nunes Costa esta última, a primeira professora de Everardo Ferreira Telles, da Ypióca.

Professora Cândida de Pontes Vieira (Candinha). 1843-1950. Créditos: mauxhomepage
 
Professora Edith Nunes Costa, fundadora do Colégio São José. 1914-1998.
Créditos: Blog Guardiões da História

Ficaram na história da educação de Maranguape o professor Osório Uchoa Soares Campos, que prestou inestimáveis serviços à educação maranguapense, fundador do Ginásio Anchieta, a primeira escola de ensino médio do município, dona Cristeta (a primeira professora do escritor Gilson Nascimento, constantemente lembrada em seus livros), dona Mariquinha, professora do Elano de Paula e do Chico Anysio, padre Raimundo Pinto de Albuquerque e as Irmãs de Nossa Senhora do Amparo, a congregação religiosa que dirigia o Instituto Santa Rita, instituição que marcou época pela excelência do nível e pela formação de um quadro de professoras de grande quilate.

Pe. Raimundo Pinto e o Grupo de Normalistas formadas no Colégio Anchieta de Maranguape. Dezembro - 1971




Tradicional desfile cívico na cidade. Colégio Estadual Anchieta em Setembro de 1988.
Ginásio do Instituto Santa Rita.
Foto não datada no site de origem, mas é provável que seja dos anos 50/60. Créditos: IBGE


Desfile dos alunos do Instituto Santa Rita nos anos 60. Créditos: Sueli Kair
Desfile dos alunos do Instituto Santa Rita nos anos 60. Créditos: Sueli Kair


Salaberga Torquato Gomes de Matos, nascida em 1909, foi professora e diretora do Grupo Escolar Capistrano de Abreu durante décadas. A entrevistamos em 2006. Lúcida, na avançada idade de 98 anos, falou sobre os costumes de Maranguape a partir dos anos 30 do século passado. 

Salaberga Torquato Gomes de Matos. 1909-2008.
Reprodução do livro Traços de uma educadora escrito por sua filha Ofélia Maria Gomes de Matos.

Grupo Escolar Capistrano de Abreu - Maranguape - CE. 1951. Créditos: IBGE

Grupo Escolar Capistrano de Abreu. Fevereiro - 2013.


Árduo era o ofício de ensinar. No primeiro distrito para que foi nomeada, a escola não tinha casa e as aulas eram ministradas debaixo de uma árvore, cada aluno trazendo um caixote ou um tamborete para sentar. Afirma, entretanto, que jamais fez uso da palmatória, instrumento de castigo da escola antiga que foi condenado pela reforma do ensino no Ceará, conduzida pelo educador Lourenço Filho, em 1922, mas que continuou a ser empregado pela teimosa severidade de alguns velhos mestres.

Salaberga Torquato Gomes de Matos aos 90 anos. 1909-2008.
Reprodução do livro Traços de uma educadora escrito por sua filha Ofélia Maria Gomes de Matos.

Dona Salaberga é outro exemplo perfeito da educadora vocacionada, reconhecida oficialmente pelo Estado do Ceará, que, pelas mãos do próprio Governador Lúcio Alcântara, a condecorou com uma medalha de mérito.

Em 2014, foi inaugurada a Escola Estadual Profissionalizante Salaberga Torquato Gomes  de Matos, homenagem justa aos mais de 40 anos de trabalhos prestados à sua terra natal.



EEEP Salaberga Torquato Gomes de Matos, recém inaugurada. Fevereiro - 2015.
Foto: Pedro Feitoza
Fonte: Livro "Maranguape" de Juarez Leitão.


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