Muito tempo depois, já no Período Republicano, é instalada a
primeira escola, em prédio apropriado de acordo com os padrões do ensino
contemporâneo. As escolas urbanas de Maranguape foram todas reunidas no que se
chamou de Grupo Escolar Benjamim Barroso, em homenagem ao Presidente do Estado
da época e foi inaugurado a 21 de julho de 1916. Funcionou no sobrado das
Correias, na Praça da Matriz, tendo como primeira diretora Dona Cândida Vieira
Cavalcante e como professora Alice Chaves, Maria Leonese de Sousa Brasil,
Isabel Amélia Pereira, Lídia de Pontes Vieira e Emília Vieira.
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Solar dos Correias, onde funcionou o Grupo Escolar Benjamim Barroso. |
Em 1933, a escola mudou de nome, passando a chamar-se Grupo
Escolar Capistrano de Abreu. Nos anos 30, 40 e meados do século passado, ali
marcaram época as mulheres da família Pontes Vieira, todas professoras: Emília,
Cândida e Áurea, além das parentas, Ana Vieira, e Juvenília Vieira Mavignier de
Oliveira, e também Francisca (Chiquinha) Assunção e Dona Naninha (Ana de
Oliveira Cabral), esta, uma figura histórica do magistério maranguapense, pois,
filha do Icó, chegou a esta cidade em 1905 e aqui viveu até a idade de 86 anos,
ensinado gerações.
Também destacaram-se as irmãs Raimundinha e Anita Mota; Zélia,
Belalinda e Maria da Glória Filgueiras Bastos; e Maria Ferreira. Da família
Nunes, Edith Nunes Costa, fundadora do colégio São José, e suas irmãs Isa
Nunes, Suzete Nunes Cavalcante e Maria Nunes Costa esta última, a primeira
professora de Everardo Ferreira Telles, da Ypióca.
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Professora Cândida de Pontes Vieira (Candinha). 1843-1950. Créditos: mauxhomepage |
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Professora Edith Nunes Costa, fundadora do Colégio São José. 1914-1998. Créditos: Blog Guardiões da História |
Ficaram na história da educação de Maranguape o professor
Osório Uchoa Soares Campos, que prestou inestimáveis serviços à educação
maranguapense, fundador do Ginásio Anchieta, a primeira escola de ensino médio
do município, dona Cristeta (a primeira professora do escritor Gilson
Nascimento, constantemente lembrada em seus livros), dona Mariquinha,
professora do Elano de Paula e do Chico Anysio, padre Raimundo Pinto de Albuquerque
e as Irmãs de Nossa Senhora do Amparo, a congregação religiosa que dirigia o
Instituto Santa Rita, instituição que marcou época pela excelência do nível e
pela formação de um quadro de professoras de grande quilate.
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Desfile dos alunos do Instituto Santa Rita nos anos 60. Créditos: Sueli Kair |
Salaberga Torquato Gomes de Matos, nascida em 1909, foi professora e diretora do Grupo Escolar Capistrano de Abreu durante décadas. A entrevistamos em 2006. Lúcida, na avançada idade de 98 anos, falou sobre os costumes de Maranguape a partir dos anos 30 do século passado.
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Salaberga Torquato Gomes de Matos. 1909-2008. Reprodução do livro Traços de uma educadora escrito por sua filha Ofélia Maria Gomes de Matos. |
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Grupo Escolar Capistrano de Abreu - Maranguape - CE. 1951. Créditos: IBGE |
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Grupo Escolar Capistrano de Abreu. Fevereiro - 2013. |
Árduo era o ofício de ensinar. No primeiro distrito para que foi nomeada, a escola não tinha casa e as aulas eram ministradas debaixo de uma árvore, cada aluno trazendo um caixote ou um tamborete para sentar. Afirma, entretanto, que jamais fez uso da palmatória, instrumento de castigo da escola antiga que foi condenado pela reforma do ensino no Ceará, conduzida pelo educador Lourenço Filho, em 1922, mas que continuou a ser empregado pela teimosa severidade de alguns velhos mestres.
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Salaberga Torquato Gomes de Matos aos 90 anos. 1909-2008. Reprodução do livro Traços de uma educadora escrito por sua filha Ofélia Maria Gomes de Matos. |
Dona Salaberga é outro exemplo perfeito da educadora
vocacionada, reconhecida oficialmente pelo Estado do Ceará, que, pelas mãos do
próprio Governador Lúcio Alcântara, a condecorou com uma medalha de mérito.
Em 2014, foi inaugurada a Escola Estadual Profissionalizante Salaberga Torquato Gomes de Matos, homenagem justa aos mais de 40 anos de trabalhos prestados à sua terra natal.
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EEEP Salaberga Torquato Gomes de Matos, recém inaugurada. Fevereiro - 2015. Foto: Pedro Feitoza |
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