domingo, 2 de novembro de 2014

Família Sombra



Coronel Joaquim José de Souza Sombra

A família Sombra produziu políticos, comerciantes, latifundiários e intelectuais. A mais importante referência desse clã que marcou a história da cidade é o coronel Joaquim José de Souza Sombra, um dos autênticos patriarcas do Ceará no século XIX.

Tornou-se íntimo da família Alencar e, tempos depois, quando foi transferido para o Rio de Janeiro, hospedou-se na residência do Senador Alencar, onde – segundo Gustavo Barroso – assistia a sessões secretas em que conspiravam os liberais contra o gabinete conservador, no Segundo Reinado.


Nasceu em São Bernardo das Russas, em 1819, mas foi em Maranguape, onde chegou muito jovem, que se tornou famoso.
Ingressou no Serviço militar, tendo acompanhado a tropa do major José Félix Bandeira, incumbida de pacificar a sedição de Sobral contra o presidente da província (Padre José Martiniano de Alencar), em 1840.


Fez parte de um célebre comitê politico, A Sociedade dos Invisíveis, e, obedecendo a um plano dessa associação, viajou para o interior do Ceará e de Pernambuco em funções conspiratórias. O projeto revolucionário dos liberais, porém, falhou e Sombra foi processado e preso. Anistiado, voltou ao Ceará.


Solar dos Sombras no Centro de Maranguape - CE


Em Maranguape construiu o famoso “Solar dos Sombras”, imponente edificação patriarcal, ainda hoje de pé, símbolo da opulência e do poder antigo.



O prédio durante alguns anos abrigou a Caixa Econômica Federal

O coronel Sombra foi o primeiro Intendente de Maranguape. Foi também Juiz de Paz, Presidente da Câmara e Deputado Provincial. Nunca aceitou remuneração por suas funções públicas, revertendo o que ganhava ao erário da Província. Durante a epidemia de cólera de 1862, prestou valiosos serviços à população.

Foi agente Consular de Portugal. Contribuiu para a construção da matriz de Maranguape e promoveu a abertura de praças e do ramal da estrada de ferro para a cidade. Morreu em Fortaleza, em 1911, com a majestosa idade de 92 anos.

O velho patriarca e sua mulher Severina Correia Sombra foram pais de José Correia Sombra, nascido em 1852, médico pela Faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Fez curso de especialização na Europa, na Áustria. Sete anos depois de formado, em 1888, faleceu repentinamente, deixando na orfandade seu filho José Sombra, que também ficaria famoso. Publicou sua tese de doutorado, “Condições Patogênicas das palpitações do Coração e Meios de Combatê-las”, pela Imprensa Industrial, Rio de Janeiro em 1882. Sua esposa, Luíza Gouveia da Cunha, filha do Visconde de Caíupe, casou-se em segundas núpcias com o Barão de Studart (Guilherme Chambly Studart).
Outros filhos e netos do patriarca Joaquim Sombra ficaram célebres, alguns em âmbito nacional.

Seu principal herdeiro político em Maranguape foi o coronel José Joaquim Correia Sombra, que se instalou na cidade uma famosa botica. Segundo Francisco Braz de Araújo, “quem entrava em sua farmácia deparava-se com um ambiente diferente, uns recipientes de vidro em forma de globo, cheios de solução encarnada ou azul, e também algumas cobras engarrafadas, além do cheiro ativo do iodofórmio, o antisséptico que se usava naquele tempo. Criou uma fórmula para combater a malária, sendo encontradiços em seu laboratório os ‘paroaras’ (pessoas que tinha estado na Amazônia) com suas barrigas adematosas e acentuada palidez. O coronel estava sempre manipulando drogas, aviando os remédios e atendendo os doentes que de todos os recantos do município e de outras partes afluíam”.

Político liberal fazia oposição ao aciolismo e, quando o velho Comendador caiu, assumiu a intendência pelo Rabelismo. Era austero, mas muito prestativo, ajudando a quantos lhe procuravam para sarar os males do corpo e até os do espírito, as aflições cotidianas. Recebia nos fins de tarde em sua botica os amigos para um convescote gostoso sobre a política, o progresso da comunidade e as novidades de todos os tipos, formando ali uma espécie de parlamento informal.


Fonte: Livro "Maranguape" de Juarez Leitão.

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